‘Ancestral: Afro-Américas’ é a quarta exposição do Centro Cultural Banco do Brasil na capital baiana e reúne mais de 130 obras que celebram a ancestralidade da arte nas Américas
A mostra tem direção artística de Marcello Dantas e curadoria de Ana Beatriz Almeida. O público pode explorar três núcleos temáticos: Corpo, Sonho e Espaço. Neles, estão provocações sobre a afirmação do corpo, a dimensão reflexiva dos sonhos e a reivindicação de espaço. Há ainda uma seção dedicada à arte africana tradicional, montada com a curadoria de Renato Araújo da Silva.
“Ancestral: Afro-Américas” é a quarta exposição promovida pelo CCBB em Salvador. “O CCBB tem como missão ampliar o acesso à arte e à cultura, e trazer ‘Ancestral Afro-Américas para Salvador depois de ter passado por Belo Horizonte e Rio Janeiro é um marco e mais uma oportunidade de favorecer que um público cada vez maior tenha contato com esse acervo”, destaca Júlio Paranaguá, gerente-geral do CCBB Salvador.
Como compartilha Marcello Dantas, tudo é pensado com analogia à história de dois primos capturados na comunidade de origem na costa oeste da África, no século 18, separados entre Salvador, no Brasil, e Charleston, nos Estados Unidos. O diretor artístico reforça o poder da mostra de conectar poéticas que parecem distintas mas encontram irmandade no outro hemisfério. “Apenas porque um barco rumou ao norte e outro ao sul, e 200 anos se passaram, não foi possível apagar a força de uma chama ancestral que corre no sangue daqueles que vivenciaram a riqueza matricial da África das Américas”, diz.
No núcleo “Corpo”, as obras exploram os limites da representação, evidenciando a resistência de retratar uma pessoa negra em uma obra de arte. As obras do núcleo “Sonho”, marcado por identidade e herança, expandem os limites da abstração, promovendo a contemplação e provocando reflexão. Já no núcleo “Espaço” as obras examinam propostas de construção de mundo e criação de lugares, misturando natural e urbano ao tratar de temas como imigração, história e comunidade desafiando percepções convencionais de espaço e pertencimento.
É neste núcleo que estão as joias de crioula, que constituem uma joalheria ritual, frequentemente utilizadas como instrumento de emancipação sociocultural. Na Irmandade da Boa Morte, elas apontam a hierarquia e devoção das integrantes, sendo passadas de geração em geração. No período escravocrata, elas serviam como moeda e também como fundo de investimento para a compra de liberdade de outras mulheres. Poderia-se passar uma vida inteira garantindo economias para adquirir uma joia de crioula e vê-la como um troféu de liberdade — algo que normalmente ocorreria somente ao alcançar uma idade mais avançada.
A curadora Ana Beatriz Almeida reafirma a ideia de reconstrução da ancestralidade tão castigada durante os processos de colonização. “No processo de criação da humanidade em meio à brutalidade racional que forjou a modernidade, artistas afrodiaspóricos redefiniram a ética e a estética, frequentemente convergindo – apesar de estarem em territórios diferentes. Isso nos leva de volta ao conceito de ‘pessoa’ encontrado na África Ocidental: o sujeito enquanto resultado de sua genealogia ancestral”, coloca.
Na seção Arte Africana Tradicional, a ancestralidade é reconhecida como o ponto de partida da criatividade artística. A proposta é unir a herança africana e as manifestações contemporâneas de arte desenvolvidas dessa raíz no Brasil e nos Estados Unidos. “Essas obras representam continuidades e transformações ao longo do tempo, revelando tanto a força de tradições transmitidas por gerações quanto as inovações decorrentes do contato com novas culturas e contextos”, finaliza o curador da seção, Renato Araújo da Silva.
A exposição “Ancestral: Afro-Américas” tem a produção da Magnetoscópi com patrocínio do BB Asset e Google por meio da Lei de Incentivo a Cultura, com apoio do Bank of América e realização do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e Sociedade Amigos da Cultura Afro-brasileira (Amafro).
Sobre o CCBB em Salvador
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é uma rede de espaços culturais gerida e mantida pelo Banco do Brasil, com o objetivo de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura e valorizar a produção cultural nacional. Presente no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, está avançando no processo de instalação de sua nova unidade em Salvador. Na capital baiana, passa a ocupar o Palácio da Aclamação, histórico edifício do início do século passado e que, durante mais de cinquenta anos, foi residência oficial dos governadores da Bahia. Mesmo antes de iniciar suas atividades no Palácio da Aclamação, o CCBB já está presente em Salvador dialogando e estabelecendo parcerias com equipamentos culturais da cidade.
Sobre o Muncab
O Museu Nacional da Cultura Afro‑Brasileira (MUNCAB), sob gestão da Sociedade Amigos da Cultura Afro‑Brasileira (AMAFRO), é um espaço de referência dedicado à preservar e difundir a produção artística negra e as culturas afro-brasileiras, sua criação deu-se como museu-território-negro afim da construção de identidades, saberes e práticas artísticas através das práticas da museologia social. O museu propõe uma ruptura contracolonial em sua construção física, discursiva e simbólica, buscando através das artes visuais colaborar com a reconstrução das representações sociais sobre os brasileiros negros e as culturas afro-brasileiras, diásporicas e africanas. O MUNCAB conta com patrocínio da Petrobrás via Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
Serviço:
O que: Exposição “Ancestral: Afro-Américas”
Quando: 26 de setembro de 2025 a 1º de fevereiro de 2026
Onde: Muncab – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador-BA
Classificação: Livre
Funcionamento: Terça a domingo, às 10h às 17h (entrada até às 16h30)
Entrada: R$20 a inteira e R$10 a meia (clientes do Banco do Brasil pagam meia)
*As vendas de ingressos acontecem na bilheteria do local e no site do Museu. A entrada é gratuita para todos os visitantes nas quartas-feiras e domingos, mediante reserva online de ingresso.
