No dia 2 de fevereiro, data em que Salvador realiza a Festa de Iemanjá, reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) desenvolve uma ação de mediação cultural que articula participação do público, produção artística contemporânea e memória coletiva. A iniciativa integra o calendário anual do museu e dialoga com uma das manifestações culturais mais consolidadas do espaço urbano soteropolitano.
Ao longo de todo o ano, visitantes do MUNCAB são convidados a registrar pedidos, mensagens e intenções em um barco-obra instalado no foyer do museu. A obra foi concebida pelos artistas Sandro Ayê e Raimundo Bida e incorpora uma boneca de Iemanjá criada por Pai Dedeco de Itaparica, compondo um dispositivo artístico de participação pública. No dia 2 de fevereiro, esses registros são transferidos para um barco biodegradável ornamentado com flores, que segue em cortejo com colaboradores do museu, integrando-se às atividades realizadas no Rio Vermelho.
A Festa de Iemanjá teve início na década de 1920 a partir da mobilização da Colônia de Pescadores Z1, no Rio Vermelho, e consolidou-se ao longo do século XX como um evento central da cultura urbana de Salvador. Atualmente, a celebração mobiliza moradores, visitantes e instituições culturais, configurando-se como um marco do calendário simbólico da cidade, para além de interpretações confessionais.
Nesse contexto, o MUNCAB mantém, de forma contínua, ações voltadas ao reconhecimento e à valorização da festa como patrimônio imaterial. Entre elas está o diálogo com a história recente da iconografia associada ao evento, como a doação da escultura de Iemanjá negra, produzida pelo artista Rodrigo Siqueira, à Colônia de Pescadores Z1. A obra passou a integrar o espaço público do Rio Vermelho e ampliou debates sobre representação, memória e visualidade no âmbito das políticas culturais da cidade.
Para a diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, a ação realizada no 2 de fevereiro reafirma o papel do museu na preservação de manifestações culturais urbanas. “A Festa de Iemanjá é um patrimônio imaterial de Salvador, e a atuação do MUNCAB se dá no campo da cultura, da memória e da participação pública, reconhecendo a importância dessa celebração para a história da cidade”, afirma.
A diretora artística Jamile Coelho destaca o uso da arte como instrumento de mediação cultural. “O barco funciona como um dispositivo artístico que acolhe a participação do público ao longo do ano e se conecta, no 2 de fevereiro, a uma manifestação cultural estruturante da cidade”, diz.
Serviço
O quê: Ação de mediação cultural do MUNCAB no 2 de fevereiro, com transferência de registros do barco-obra para embarcação biodegradável
Quando: 2 de fevereiro
Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) e programação pública da Festa de Iemanjá, em Salvador
Quem: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, com participação do público visitante
