Memória - relatos de uma outra História
“Inclassificáveis”, é a primeira mostra pública do acervo Con/Vida após a maior repatriação de obras de arte realizada no Brasil. A exposição apresenta o primeiro recorte de um conjunto de mais de 660 peças recentemente retornadas ao país, com trabalhos de artistas baianos, cearenses e pernambucanos que estavam há décadas nos Estados Unidos. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a mostra propõe uma leitura que desafia categorias historicamente atribuídas à produção artística negra.
O quê: Exposição “Inclassificáveis”
Curadoria: Jamile Coelho e Jil Soares
Quando: 13 de março de 2026
Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
Ministério da Cultura
O Ministério da Cultura parabeniza e celebra a exposição Inclassificáveis, realizada pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira – MUNCAB, com curadoria de Jil Soares e Jamile Coelho, que, juntamente com com Cíntia Maria, desde o início de sua gestão, tem redimensionado o lugar, a visibilidade e importância deste museu como espaço de referência para a arte afrobrasileira. Nossa alegria é ainda maior pelo fato de a exposição ser realizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, a nossa Lei Rouanet.
A mostra é resultado de um esforço coletivo e demonstra o nosso compromisso com a valorização da arte, da memória e do legado cultural do país. E nasce de um movimento construído entre o MUNCAB e o Instituto Con/Vida, mantido por duas colecionadoras que reuniram obras de artistas afro-brasileiros de várias épocas, linguagens e territórios. Assim, gostaria de saudar Marion Jackson e Barbara Cervenka (in memoriam), que, de forma pioneira, possibilitaram o retorno dessas obras ao Brasil e à Bahia. Além de resgatar o sentido das criações, esse movimento fortalece a história e a soberania brasileira.
Essa é uma iniciativa que reafirma o papel do Estado na criação de políticas culturais comprometidas com a reparação histórica e a justiça social. Ao trazer para o centro do circuito artístico expressões que, por muito tempo, foram invisibilizadas ou marginalizadas, a exposição se torna também um movimento ético de reconhecimento e valorização.
Inclassificáveis é um gesto de celebração e um convite para que todos e todas possam apreciar – junto com o MUNCAB e o MinC – esta primeira exposição desde a chegada dessa coleção tão rica e tão importante para a cultura afro-brasileira e para todo o Brasil.
Margareth Menezes, Ministra da Cultura – Governo Federal do Brasil
Petrobras
O patrocínio da Petrobras ao Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) reforça o compromisso da companhia com a valorização da cultura e com o fortalecimento de iniciativas de relevante impacto social e artístico no Brasil. Esse apoio viabiliza a realização de projetos de ampla projeção, como a exposição, que marca, de maneira histórica e emblemática, a maior repatriação de obras de arte da história do país.
A mostra, com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, abre o calendário anual do MUNCAB e apresenta ao público um conjunto expressivo de artistas nordestinos, predominantemente de Salvador e do Recôncavo baiano. Suas produções ampliam o repertório da arte brasileira contemporânea e contribuem para o reconhecimento de trajetórias fundamentais para a cultura nacional.
O patrocínio cultural da Petrobras assegura a estrutura necessária para a realização de exposições dessa dimensão, além de ampliar o acesso do público a conteúdos artísticos e educativos. Dessa forma, a Petrobras reafirma seu papel como incentivadora de projetos culturais que fortalecem a memória, a diversidade cultural e a circulação de conhecimento no país.
Escola de Escultores de Cachoeira
Ao mapear práticas artísticas que fogem às classificações instituídas pela história da arte ocidental, surge, em meados dos anos 60, no Recôncavo Baiano, uma experiência singular, a Escola de Escultores de Cachoeira. Não se trata de uma escola clássica, mas de um campo de transmissão de saberes forjado no seu cotidiano, entre atabaques de terreiros, sinos de igrejas, memória social da cultura açucareira e do fumo.
Historicamente, produções que não se originam no circuito acadêmico ou institucional foram frequentemente interpretadas como fruto de impulso, intuição ou desordem criativa, em vez de serem reconhecidas como resultado de elaboração formal, técnica e imaginação artística.
O pioneiro dessa narrativa é Boaventura da Silva Filho, o Louco — escultor, autodidata que, a partir da talha da madeira, deu forma a um imaginário atravessado por cosmologias, como santos católicos, orixás e criaturas fantásticas, revelando um vocabulário visual no qual o barroco encontra a estética afrodiaspórica. Nesse território simbólico, o cinzelador torna-se uma tradução da fé, da ancestralidade e da invenção.
A origem do seu apelido, o “Louco” — expressão inicialmente usada de forma pejorativa por moradores da cidade diante da estranheza de suas peças — foi ressignificada como potência criativa. Mais do que um artista singular, Louco tornou-se mestre de uma linhagem. Filhos, sobrinhos e aprendizes passaram a compartilhar técnicas, formas e modos de olhar a madeira, dando origem a uma tradição escultórica transmitida ao longo de três gerações. Nesse contexto, a escultura não nasce do ateliê isolado, mas do território. Entre a devoção católica, o candomblé e a forte presença de irmandades negras — como a Irmandade da Boa Morte — a produção desses escultores constitui uma estética que podemos reconhecer como afro-barroca.
Louco, Maluco, Doidão, Dory, Bolão, Mimo — nomes que evocam tanto humor, quanto criatividade — tornam-se marcas de uma genealogia artística que transforma a cidade em um ateliê.
As esculturas da Escola de Cachoeira nos lembram que, muitas vezes, é justamente aquilo que foi chamado de loucura que abre caminhos para outras formas de imaginar mundos.
Escola da Conceição da Praia
Subvertendo a temporalidade líquida da agoridade — quando tudo se esvai com a mesma velocidade efêmera com que é criado —, os Arcos da Ladeira da Conceição da Praia parecem se estabelecer a partir de outra dimensão do tempo. Ali, o presente não se dissolve: ele se dobra.
Como um túnel que conecta dois pontos do espaço-tempo, a ladeira abriga práticas que atravessam gerações. Na curva de número 26 — um dos sustentáculos da Ladeira da Montanha e passagem histórica entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa —, Zé Adário, um de seus mais antigos artífices, rege, com maestria, uma dança dedicada aos orixás.
O vento, elemento motriz, alimenta o fogo. Uma barra de ferro maciça se incandesce, e a austeridade quase inquebrável da matéria revela sua condição ardente e paradoxal. Sob marretadas precisas na bigorna, o metal se enverga.
Do encontro entre fogo, ar, água e gesto, nasce um pássaro, uma lança —, ferramenta ritualística e mensageira capaz de conectar o àiyé, o mundo dos vivos, ao òrùn, plano ancestral.
Sob os arcos da Conceição da Praia, a forja torna-se, portanto, um lugar de mediação entre diferentes temporalidades da cidade. O trabalho de Zé Adário inscreve-se nesse intervalo entre arquitetura, ofício e espiritualidade, em que a matéria mineral é continuamente reativada pelo gesto humano. A chamada Escola de Artífices da Ladeira não é uma instituição formal, mas um espaço de permanência: um território onde saberes técnicos e simbólicos persistem, articulando passado e presente no interior da paisagem urbana de Salvador, a capital sagrada das Américas.
Escola do Pelourinho
Fundado no século XVI, no mesmo impulso histórico que deu forma à cidade de Salvador, o Pelourinho guarda, em suas ruas de pedra, largos e praças, uma densidade de tempo rara nas cidades brasileiras. O bairro consolidou-se ao longo dos séculos como um lugar de circulação intensa de pessoas, ideias e expressões artísticas. Ali transitam moradores, trabalhadores, músicos, vendedores, visitantes e artistas, compondo um cenário cotidiano que sempre estimulou a imaginação criadora. Não por acaso, o Pelourinho tornou-se fonte recorrente de inspiração para escritores, músicos, cineastas, dramaturgos, poetas e artistas visuais.
Mais do que um espaço histórico ou um destino turístico, o bairro se afirmou como um território de produção artística. Em suas ruas e ateliês, diferentes gerações encontraram matéria para refletir sobre a cidade, sobre a vida e sobre as tensões que atravessam a experiência urbana, enquanto evocam, de forma recorrente, memórias de territórios rurais — paisagens da terra natal que continuam a habitar a memória de muitos desses artistas.
Frequentemente associado a imagens que procuram sintetizar a chamada baianidade, o Pelourinho revela, contudo, uma trama cultural muito mais complexa. A produção de seus artistas demonstra que esse território não pode ser reduzido a estereótipos festivos ou a visões folclorizadas. Ao contrário, suas imagens frequentemente incorporam aspectos da memória coletiva, da religiosidade, da vida cotidiana e dos contrastes que estruturam a cidade.
Nesse contexto, a arte emerge como forma de interpretação do mundo. E as pinturas elaboram visualmente experiências marcadas não só por complexidades, como também por uma extraordinária capacidade de invenção poética. Há, nessas obras, uma energia que transforma adversidades em linguagem, convertendo a vida cotidiana em campo de elaboração e expressão estética.
Essa vitalidade, presente no ritmo das ruas e na inventividade popular, encontra na arte uma forma de permanência. Longe de qualquer ingenuidade formal, os trabalhos desses artistas dialogam diretamente com o tempo histórico em que foram produzidos. Suas imagens registram as transformações da cidade, as disputas por espaço e visibilidade, bem como os processos de construção de identidade que atravessam a sociedade brasileira.
Assim, ao nomearmos a Escola do Pelourinho, reconhecemos um processo de transmissão de saberes que nasce da convivência entre território, experiência social e imaginação artística. Trata-se de uma contribuição singular para a arte brasileira contemporânea, na qual memória, cidade e criação permanecem inseparáveis.
Na exposição Inclassificáveis, partimos de um gesto profundamente simbólico e político: a rematriação das cerca de 660 obras hegemonicamente, classificadas como “arte popular”, mantidas pelo Instituto Con/Vida, em Detroit, nos Estados Unidos. Desse acervo, selecionamos aproximadamente cerca de 100 obras para compor a mostra. Ao retornarem ao Brasil, essas criações não apenas recuperam seus vínculos culturais e territoriais, mas também provocam uma reflexão crítica sobre os modos pelos quais o sistema da arte historicamente as nomeou, categorizou, subalternizou e apresentou em suas tribunas sem a restituição original dos seus sentidos para a sua territorialidade.
A curadoria propõe uma inflexão: e se, ao invés de confirmarmos o rótulo de “arte popular” — frequentemente empregado para minorar, exotizar ou infantilizar expressões artísticas de artistas majoritariamente negros —, optássemos por suspender as classificações? E se tratássemos essas obras a partir da potência estética e simbólica que elas manifestam em sua singularidade no seu cotidiano e lugar de pertença, em vez de submetê-las a categorias hierarquizantes que distinguem e sobrepõem o clássico ao popular?
Obras que nascem de territórios historicamente invisibilizados — como o Arco da Ladeira da Conceição e o Pelourinho, em Salvador, e o Recôncavo Baiano — são frequentemente removidas de seus contextos para serem rotuladas de “folclore”, “naïf” ou “popular”. Tal deslocamento não é neutro, transforma arte viva em arte contemplativa e decorativa, fragmentando sua funcionalidade ritual, social ou política, operando um processo de esvaziamento semântico.
Em resposta a esse processo, Inclassificáveis valoriza os sistemas próprios de produção e circulação da arte que brota das comunidades como um gesto cultural de amor, festa e devoção. A mostra lança luz sobre núcleos artísticos espontaneamente organizados — aqui nomeamos as produções artísticas da Escola de Escultores de Cachoeira, da Escola do Pelourinho e da Escola de Artífices dos Arcos da Ladeira da Conceição — que, mesmo fora das academias, formaram gerações de artistas, produziram linguagens próprias e estabeleceram vínculos entre arte, vida e territórios. São escolas não oficiais, mas potentes, que desafiam a centralidade dos cânones acadêmicos e se afirmam como polos criativos onde se fundem ancestralidade, crítica social e oralidade.
Nesse sentido, as obras expostas não pertencem a um “gênero menor”, senão revelam epistemologias visuais que escapam às normativas convencionais do campo da arte ocidental. Aqui, arte é gesto, é saber partilhado, é prática de cuidado, é intervenção na vida cotidiana. As peças desafiam o espectador a deslocar seu olhar — do exótico para o essencial, do folclórico para o filosófico, do periférico para o central.
Reivindicar a rematriação dessas obras também é repensar sua destinação. Trata-se não só de devolver objetos, como também de reconstituir vínculos com territórios, comunidades e memórias. O ato de rematriar exige igualmente um reposicionamento crítico das instituições museológicas brasileiras, que devem assumir a tarefa de acolher, cuidar, exibir e, sobretudo, escutar essas expressões em sua inteireza.
Destarte, Inclassificáveis não é uma exposição sobre o “popular”, e sim uma proposta contracolonial do olhar e do gesto curatorial. Ao reunir esculturas, pinturas, gravuras e outros suportes que desafiam as classificações tradicionais, buscamos reconfigurar o campo de possibilidades da arte brasileira, revelando as fraturas do sistema que tentou, por tanto tempo, calar ou tutelar a potência dessas obras.
Entre o gesto e o corpo, entre a devoção e a subversão, essas criações nos convocam a imaginar um outro museu possível. Um museu onde a arte não precise ser popular, porque o povo — plural, complexo e criativo — já é, por si, arte.
Jamile Coelho – Diretora Artística e Curadora
Jil Soares – Curador
Alberto Pitta, Alfredo Cruz, Babalu, Calixto Sales, Celestino (Louco Filho), Didito, Dory, Ednéia, Eduardo Santos Silva, Emma Valle, Frank Bahia, Gil Abelha, Gilvan Lima, Gisele, Goya Lopes, Ivanildo Lopes, Ivaldo Lisboa, Ivonete Dias, J. Cunha, John Kinnidy, Jorge Santos, Jó Silara, Lena da Bahia, Louco, Lydia Hora, Mauro Di Verde, Mestre Mimu, Nivaldina, Palito, Pedro Santos, Raimundo Bida, Raimundo França,Raimundo Nonato, Renato Lima, Roque Escultor, Sol Bahia,Telma Sá, Thelmo Sá, Totonho,Tupinancy, Ubiraci, Tibiriçá, Zé Adário.
FICHA TÉCNICA | TECHNICAL SHEET | ESPECIFICACIONES TÉCNICAS
Ministério da Cultura e Petrobras apresentam
INCLASSIFICÁVEIS
Realização | Production | Producción
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira
Gestão do Muncab | MUNCAB Management | Gestión de MUNCAB
Sociedade Amigos da Cultura Afro-brasileira (AMAFRO)
Direção Geral | General Direction | Dirección General
Cintia Maria
Direção Artística | Artistic Direction | Dirección Artística
Jamile Coelho
Curadoria | Curatorship | Curaduría
Jamile Coelho e Jil Soares
Projeto Expográfico | Exhibition Design | Proyecto de Exposición
Gisele de Paula Arquitetura & Cenografia
Assistente de Expografia | Exhibition Design Assistant | Asistente de Diseño de Exposiciones
Iolaos Coelho
Alexandra Souza
Carol Madureira
Coordenação de Produção | Production Coordination | Coordinación de Producción
Paula Vaz
Produtor Executivo | Producer | Productor
Davi Lima
Estagiária de Produção | Production Intern | Aprendiz de Producción
Iná Tupinambá
Assessoria Técnica em Museologia | Technical Consulting in Museology | Consultoría Técnica en Museología
Adiane Candeias
Conservação Museológica | Museum Conservation | Conservación de Museos
Zinalva Ferreira e Caroline Ribeiro
Técnica em Museologia | Museology Technician | Técnica de Museología |
Laila Barbosa
Restauro | Restoration | Restauración
Débora Motta
Estagiária de Museologia | Museum Studies Intern | Aprendiz de Museología
Adu Santos
Identidade Visual | Visual Identity | Identidad Visual
Ranulfo Magalhães
Designer | Graphic Design | Diseñador
M. Dias Preto
Assessoria de imprensa | Press Office | Oficina de Prensa
Ivan Costa
Revisor de Textos | Text Editor | Editor de Texto
Alex Simões
Tradutora | Translator | Traductora
Alyxandra Gomes
Assessoria Jurídica | Legal Advisory | Asesoría Legal
Camila Chagas
Obra Tátil| Tactile Artwork | Táctil
Inclua-me Arte e Cultura para todos
Audiodescrição | Audio Description | Descripción de Audio
Juniro Formiga
Cenografia de objetos| Object scenography | Escenografía de Objetos
WIW Arte Studio
Bruno WIW
Brizê – Luiza Annoni
Cenildo Silva
Clara Matos – Cenosfera
Daiane Oliveira
Driheli Neri
Emanuel Santos
Jailton Conceição
Lola Santiago
Luiz Arte
Márcio Bitencourt
Tupy artes
Vânia Dias
Thiago Nazareth
Audiovisual| Audiovisual | Audiovisual
Voxel Design de Integração
Caetano Travassos
Rangel Souza
Segurança do Trabalho| Workplace safety | Seguridad en el lugar de trabajo
Prest Seg Segurança do Trabalho LTDA
Hey Comunicação Visual
Gestão do Educativo | Educational Program Management |Gestión de Programa Educativo
Associação Sociocultural NUBAS
Coordenação do Educativo | Educational Program Coordination | Coordinación de Programa Educativo
Jéssica Freitas
Estagiários de Mediação | Mediation Interns | Aprendizes de mediación
Adrian Alves
Caique Alexandre Santos
Felipe Oliveira
Gabriel Cerqueira
Geovana Ferreira
Graziele Santos
Jaiane Eloy
Juliana Rocha
Larissa Vasconcelos
Lavínia Emanuelle
Luiza Alves
Kim Queiroz
Maria Eduarda Mercês
Maria Rita Santos
Silwana Brito
Equipe MUNCAB | MUNCAB Team | Equipo MUNCAB
Adilma Cajado
Danilo Santana
Luiz Matheus
Sinalização e Plotagem | Signage and Printing | Señalización y Trazado
Iplotagem Comunicação Visual
Hey Comunicação Visual
Impressão e Moldura | Print and Framing | Imprimir y Enmarcar
Fastframe
Objetiva Fotografia Digital
Iluminação cenotécnica | Lighting Designer | Iluminación del Escenario
Luciano Reis
Assistentes | Assistants |Asistentes
Thaimara Leite
Marcos DD
Roberto Batista
Gabriel de Jesus
Marina Porto
Eletricista | Electrician |Electricista
Joselito Pinho
Seguro de obras |Artwork Insurance |Seguro de Obras de Arte
Howden
Montagem | Assembly | Montaje
RCD Produção de Arte
Direção de Montagem | Installation Direction | Dirección de Montaje
Ricardo Cavalcanti
Cenotécnico Chefe | Chief Scenographer | Técnico Jefe de Escena
Adriano Passos
Produção | Production | Producción
Giuliano Moreira
Carolina Pitanga
Cenotécnicos |Scenographers |Técnico de Escena
Alan Ferreira
Anderson Miranda
Bilho Santana
Cezar Rocha
Clasio Vieira (Tomate)
Fabio Machado (François)
Jonas Santana
Rafael Amancio
Montagem Fina | Fine Assembly |Buen Montaje
Agnaldo Santos
Paulo Tosta
Pintores | Painters |Pintores
Ademir Ferreira
Cid Eduardo
Edson Carlos
Paulo Henrique
Renan Oliveira
Victor Prado
Logística |Logistics | Logística
Elivaldino Pitanga
Gilberto Paiva
Ivan Araújo
Agradecimentos |Acknowledgments |Agradecimientos
Em especial às colecionadoras e doadoras desse acervo Bárbara Cervenk (in memoriam) e Marion Jackson.
Adriana Medeiros|Bruno Melo| Carlos Paiva| Celso França| Divisão de Assuntos Multilaterais Culturais e ao Escritório de Representação na Bahia do Itamaraty| Irmã Meire Elizabeth Bednarek| Instituto Guimarães Rosa| Karina Araújo| Larissa Mendes| Mariana Braga| Ministério da Fazenda| Ministério das Relações Exteriores| Paula Santos| Roberta Aguiar Cerri| Sandra Magnavita| Superintendência da Receita Federal na 5ª Região Fiscal| Tatiana Teixeira
Rematriar a memória: arte negra, território e restituição histórica
Durante muito tempo, a produção artística negra no Brasil foi enquadrada por classificações que limitaram sua leitura e seu reconhecimento no campo da história da arte. Inclassificáveis propõe deslocar essas categorias, afirmando a centralidade da arte produzida por artistas negros na formação da cultura visual brasileira.
Apresentada pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), a exposição marca um momento histórico ao reunir o conjunto de obras que integra a maior repatriação — ou, como preferimos afirmar, rematriação — de obras de arte realizada no país. Reunido ao longo de mais de três décadas pelas colecionadoras Bárbara Cervenka e Marion Jackson, esse acervo retorna agora ao Brasil, permitindo a reaproximação entre essas produções e os territórios culturais que lhes deram origem.
Mais do que um deslocamento físico de obras, trata-se de um gesto de restituição histórica. A Bahia ocupa um lugar central nesse processo. Territórios como Salvador e a cidade de Cachoeira constituem espaços fundamentais para a compreensão das culturas afro-brasileiras e de suas expressões visuais. Ao longo do século XX, esses territórios consolidaram núcleos artísticos de grande relevância: a Escola de Pintores do Pelourinho, a Escola de Escultores de Cachoeira e a Escola da Ladeira da Conceição da Praia.
Em um campo institucional historicamente marcado por profundas assimetrias de poder, é particularmente significativo que esse processo tenha sido conduzido por um museu negro, reafirmando o compromisso do MUNCAB com a valorização, a preservação e a difusão da produção artística negra.
Inclassificáveis reafirma a potência estética e intelectual da produção artística negra e contribui para ampliar as formas de compreender a história da arte no Brasil, reconhecendo essas obras como parte constitutiva da cultura e da produção artística brasileira.
Cintia Maria
Diretora-geral do MUNCAB


















