A segunda edição do Afrobaile reuniu público numeroso e agentes da cena cultural contemporânea no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, consolidando o evento como um dos encontros mais relevantes entre música, comportamento e produção artística negra na cidade. Realizado pela Isé Música Criativa e conduzido pela banda Afrocidade, o baile reafirmou a trajetória do grupo, que desenvolve o projeto há dez anos como plataforma de formação de público e difusão de sua produção musical.
À frente da noite, o Afrocidade apresentou um repertório marcado por influências afro-diaspóricas, urbanas e contemporâneas, conectando ritmos que vão do pagode ao afrobeat. Para esta edição, o grupo recebeu convidados que ampliaram o diálogo com a cena musical baiana, entre eles Rachel Reis, presença recorrente no projeto, Matchola e Pivoman. A participação de Rachel Reis foi um dos pontos altos da noite, com forte resposta do público e interação direta com a pista.
O Afrobaile também se destacou como espaço de circulação e encontro entre diferentes campos da cultura. Estiveram presentes artistas como Luma Nascimento e Luana Vitra, esta última com obra em exibição na mostra “Memória: relatos de uma outra história”, atualmente em cartaz no MUNCAB. Circularam ainda a curadora Carolina Rodrigues, a cineasta Everlane de Moraes, a curadora Janaína Oliveira, o estilista Uran Rodrigues e outros profissionais ligados às artes visuais, ao cinema, à moda e à curadoria.
Ao longo da noite, a pista foi ocupada por um público diverso, com intensa participação, dança contínua e interações que reafirmaram o caráter do Afrobaile como espaço de sociabilidade cultural e afirmação estética. O evento operou como um ponto de convergência entre música, artes e público, reforçando sua posição para além do entretenimento, como um acontecimento cultural articulado à produção negra contemporânea.
Criado inicialmente em Camaçari, o Afrobaile se consolidou ao longo da última década como uma rede musical afrodiaspórica, reunindo artistas e públicos em torno da cultura negra e de novas expressões sonoras. No MUNCAB, o projeto reafirmou tanto a vitalidade do Afrocidade quanto a vocação do museu como espaço de circulação de práticas culturais contemporâneas, ampliando o diálogo entre música, artes e cidade.
