O público que ainda não visitou a exposição “Memória: relatos de outra História” ganhou uma nova oportunidade. O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, anunciou a prorrogação da mostra até 5 de julho de 2026, ampliando o período de visitação de uma das exposições mais instigantes sobre arte contemporânea africana e afro-diaspórica em cartaz na cidade.
A prorrogação acontece em um momento simbólico, marcado pelas celebrações do Dia Internacional da Mulher, reforçando a importância de reconhecer e valorizar a produção artística de mulheres negras e afro-diaspóricas que vêm reescrevendo narrativas históricas por meio da arte. A exposição reúne obras que dialogam com memória, identidade e ancestralidade, temas centrais para compreender as experiências femininas na diáspora africana.
A mostra aborda a ideia de memória coletiva como um tecido formado por inúmeras histórias, relatos, perguntas e experiências dispersas nas memórias individuais, pessoais e íntimas. Essa memória compartilhada emerge nas obras das artistas participantes, que convidam o público a refletir sobre a reconstrução de narrativas comuns e universais, oferecendo novas perspectivas sobre a criação contemporânea originária da África e de suas diásporas.
Quando palavras e memórias são esquecidas, apagadas ou interrompidas, surge a urgência de revelar narrativas alternativas. É a partir dessa necessidade que a exposição reúne vinte artistas, cujas obras trazem múltiplas histórias à coexistência e dão visibilidade ao que, por muito tempo, permaneceu silenciado.
As obras apresentadas transitam por diferentes linguagens artísticas, como pintura, têxteis, escultura, vídeo e performance, construindo uma jornada que dialoga tanto com leituras críticas e desmistificadas de trechos da História e de estereótipos associados ao continente africano quanto com formas de histórias imaginadas que ainda influenciam o mundo contemporâneo, especialmente nos debates sobre redistribuição de recursos e poder.
Por meio dessa multiplicidade de técnicas e perspectivas, os trabalhos revelam práticas artísticas profundamente comprometidas com a potência narrativa da arte, ancoradas em geografias flutuantes e temporalidades diversas. A exposição também convida o público a questionar seus próprios mecanismos de pensamento, estimulando o exercício de escutar diferentes narrativas e revisitar aquilo que muitas vezes é considerado padrão ou referência histórica.
Concebida como um espaço de encontro e reflexão, “Memória: relatos de outra História” propõe um diálogo sobre a construção coletiva de futuros possíveis, nos quais memórias conscientes e inconscientes possam encontrar caminhos de reconhecimento e reparação.
Com curadoria de Nadine Hounkpatin e Jamile Coelho, a exposição tece diálogos entre memórias africanas e a matriz afro-brasileira. O resultado é uma experiência sensível que transforma o museu em um território de escuta, reconhecimento e reconstrução histórica.
Para a curadora Jamile Coelho, a exposição aborda a memória coletiva tecendo o fazer feminino convidando o espectador a partilhar as perspectivas contra-hegemônicas diante das formas históricas de classificação da arte negra. “Nesse panorama plural e interfronteiriço, abordamos a ideia de uma memória coletiva, tecida pelo fazer feminino — uma miríade de histórias, relatos, perguntas e experiências que habitam nossas memórias individuais, pessoais e íntimas. Este é um convite à escuta e à partilha a partir de perspectivas contra-hegemônicas que, apesar de todas as tentativas de fragmentação, seguem se afirmando como uma das maiores forças deste século “, afirmou.
A realização da exposição integra a Temporada França–Brasil, fortalecendo intercâmbios culturais e reafirmando o papel da arte como ferramenta de diálogo entre povos. Para a Embaixada da França no Brasil, a mostra representa um convite a revisitar as formas de narrar a história a partir das vozes de artistas mulheres africanas e afrodescendentes, cujas obras entrelaçam lembranças íntimas e histórias coletivas.
Em diálogo com criadoras afro-brasileiras, a exposição celebra a força simbólica do Atlântico Negro como espaço de circulação, resistência e invenção cultural. Entre África, Europa e Américas, essa travessia renova alianças entre povos e reafirma a vitalidade das experiências femininas na construção de narrativas plurais.
O projeto conta com patrocínio da Embaixada da França no Brasil e da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura do Brasil, apoio que contribui para a realização de iniciativas de grande alcance cultural e relevância crítica no país.
Sobre o MUNCAB
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) é gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), o museu consolida-se como instituição de referência nacional e internacional voltada à preservação e difusão das artes visuais afro-brasileiras, afro-diaspóricas e africanas. A instituição desenvolve programas de acervo e exposições voltados à circulação da produção artística negra em diferentes linguagens e temporalidades, da modernidade às práticas contemporâneas. Sua programação contempla ainda ações educativas, seminários, formações, eventos culturais e projetos de mediação. O museu conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
SERVIÇO
O quê: “Memória: relatos de outra História”, sob curadoria de Nadine Hounkpatin e Jamile Coelho
Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) – Salvador (BA)
Quando: de 4 de novembro de 2025 até 5 de julho de 2026
Mais informações: (71) 3017-6722 e (71) 99272-1670 muncab.com.br
