O Programa Educativo do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) compreende que a educação museal se estende além da visitação, envolvendo momentos anteriores e posteriores à experiência no museu. Para apoiar a construção desses processos pedagógicos, o museu disponibiliza aos educadores diferentes recursos que contribuem para o aprofundamento das práticas educativas e para o fortalecimento da educação para as relações étnico-raciais.

  • Formação para Professores

O Programa Educativo do MUNCAB oferece visitas especialmente direcionadas a professoras e professores, com o objetivo de contribuir para a prática docente, destacando a importância das discussões étnico-raciais e da contribuição dos povos afrodiaspóricos em diversas áreas do conhecimento.

Durante a mediação, são apresentadas propostas pedagógicas que conectam a história e a cultura afro-brasileira à vivência dos educandos, criando um ambiente propício para a construção de pontes comunicacionais entre educadores e estudantes.

As visitas são conduzidas pela coordenação do setor educativo e precedidas por uma roda de conversa e exibição de vídeos, estimulando a reflexão crítica dos participantes.

As visitas podem ser agendadas através do email: [email protected] , nos seguintes dias e  horários:

  • Dias de agendamento: terça, quinta, sexta e sábado

  • Horários disponíveis: 10h30, 11h30, 13h30, 14h30 e 15h30
  • Duração: Aproximadamente 1h30.

  • Formulário de agendamento
  • Visitas lúdicas

Voltadas ao público infantil, as visitas lúdicas do Programa Educativo do MUNCAB têm como objetivo despertar a curiosidade, a criatividade e o interesse das crianças pelo patrimônio cultural afro-brasileiro. Essas visitas reconhecem o brincar como uma dimensão essencial do aprendizado, integrando experiências sensoriais, narrativas e expressões artísticas ao percurso museal.

Com foco na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental, as visitas lúdicas incorporam diferentes recursos pedagógicos, como fantoches, contação de histórias e atividades de desenho. Tais recursos ampliam a mediação cultural, tornando a experiência no museu mais interativa, acolhedora e significativa.

As instituições interessadas podem solicitar o formato de visita lúdica no momento do agendamento, de acordo com o perfil e a faixa etária dos grupos participantes.

  • Verbetes da cultura afro-brasileira

Conceitos e conteúdos sobre relações étnico-raciais, que auxiliará na compreensão das exposições e promoverá o pleno exercício das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08.

  • Diáspora africana

Dispersão dos povos africanos pelo mundo por meio do tráfico transatlântico e da escravização desses sujeitos. 

  • Afro-diaspórico

Referente a cultura, prática e sujeitos descendentes dos povos africanos que foram espalhados pelo mundo de forma forçada através do processo da diáspora. 

  • Ancestralidade

Referente ao vínculo e conexão com os antepassados, no que se refere a cultura afro-brasileira o termo tem bastante importância pois remete a uma conexão muito antiga entre Brasil e África por meio dos vínculos históricos, culturais, religiosos e identitários. 

  • Afrofuturismo

Uma concepção de arte, estética, cultura, história, política, tecnologia e futuro que apresenta vivências negras em cenários futuristas imaginados, propondo narrativas de pessoas negras futuristas e tecnológicas.

  • Escravização e Escravizados

A palavra escravização é usada para mostrar que a escravização foi uma ação violenta imposta por alguém. Ela destaca que as pessoas não nascem escravas, mas foram tornadas escravas à força. Diferente de “escravidão”, que pode parecer uma condição natural ou neutra. O termo dá visibilidade à responsabilidade histórica dos opressores. Ajuda a contar a história de forma mais justa e consciente, sendo assim, dizemos que foram pessoas escravizadas.

  • Aquilombar

Referente a quilombo, aquilombar é o ato de pessoas negras se unificarem em prol de um objetivo em comum, da celebração das suas vidas e fortificação dos seus interesses. Por meio de uma noção de que coletivamente a comunidade negra se movimenta de forma mais potente.

  • Contracolonização

Conceito criado pelo filósofo quilombola Nêgo Bispo, utilizado para nomear as trajetórias dos povos quilombolas e indígenas. É uma prática que parte do princípio de que alguns sujeitos não foram colonizados, como os quilombolas, que propõe uma agência contrária ao colonialismo para impedir que o mesmo se estruture. 

  1. Racismo estrutural

É a compreensão de que o racismo não se configura apenas como uma prática, mas como uma estrutura que influencia o entendimento e o funcionamento da sociedade em âmbitos políticos, econômicos, sociais e culturais, entre outros, uma vez que todas essas esferas sofrem interferências raciais em seu desenvolvimento.

  • Racismo Recreativo

Prática de normalização do racismo por meio de piadas e “brincadeiras” que, na realidade, são ofensivas, mas que, ao assumirem um tom de humor, acabam sendo amenizadas ou naturalizadas.

  • Retinto, Não Retinto

Retinto a pessoa negra de tom de pele mais escuro (com mais pigmentação), não retinto a pessoa negra de tom de pele mais claro e/ou pardo. 

  • Indicação de filmes, livros, séries, artigos

A aprendizagem acontece em todos os âmbitos da vida. Com o objetivo de contribuir para a formação cultural e pedagógica dos públicos, promovendo o combate à discriminação e a valorização da cultura afro-brasileira, o Programa Educativo do MUNCAB apresenta uma lista de sugestões de leituras, filmes, músicas, séries e outras produções culturais.

 

Essas indicações buscam estimular a difusão da cultura afro-diaspórica em diferentes contextos do cotidiano, reforçando que o contato com a arte e a cultura negra não deve se encerrar ao final da visita ao museu, mas seguir inspirando reflexões, aprendizados e novas descobertas.

Indicação de leitura:

  • “Racismo recreativo”, de Adilson Moreira
  • “Necropolítica” (edição brasileira com debate racial ampliado), de Achille Mbembe
  • “A radical imaginação política das mulheres negras”, orgs. Ana Carolina Lourenço e Anielle Franco
  • “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves
  • “O genocídio do negro brasileiro”, de Abdias do Nascimento
  • “Como ser um educador antirracista”, de Bárbara Carine
  • “Olhares negros: raça e representação”, de Bell Hooks
  • “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus
  • “Interseccionalidade”, de Carla Akotirene
  • “O pacto da branquitude”, de Cida Bento
  • “Olhos d’água”, de Conceição Evaristo
  • “Pequeno manual antirracista”, de Djamila Ribeiro
  • “Lugar de Fala”, de Djamila Ribeiro
  • “Por um feminismo afro-latino-americano”, de Lélia Gonzalez
  • “A justiça é uma mulher negra”, de Lívia Sant’Anna Vaz
  • “O Negro na História da Arte Brasileira”, de Leda Maria Martins
  • “O espaço do cidadão”, de Milton Santos
  • “A terra dá, a terra quer”, de Nego Bispo
  • “Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social”, de Neusa Santos Souza
  • “O perigo de uma história única”, de Chimamanda Ngozi Adichie
  • “Apropriação cultural”, de Rodney William
  • “Racismo estrutural”, de Silvio Almeida
  • “Cadernos Negros”, de Coletivo Quilombhoje

Livros de museologia

  • Decolonizar o museu: Programa de desordem absoluta”, de Françoise Vergès;
  • Mulheres negras e museus de Salvador: Diálogo em branco e preto”, de Joana Flores; 
  • A imaginação museal: Museu, memória e poder em Gustavo Barroso, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro”, de Mário Chagas.

Cinema

  • “Alma no Olho” — Zózimo Bulbul — 1973
  • “AmarElo: É Tudo Pra Ontem” — Fred Ouro Preto — 2020
  • “A Negação do Brasil” — Joel Zito Araújo — 2000
  • “Café com Canela” — Glenda Nicácio e Ary Rosa — 2017
  • “Kbela” — Yasmin Thayná — 2015
  • “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida” — Jeferson De — 2019
  • “Marte Um” — Gabriel Martins — 2022
  • “Medida Provisória” — Lázaro Ramos — 2020
  • “Orfeu Negro (Orfeu do Carnaval)” — Marcel Camus — 1959
  • “Òrun Àiyé: A Criação do Mundo” — Jamile Coelho e Cintia Maria — 2015
  • “Raça” — Joel Zito Araújo e Megan Mylan — 2013
  • “Um Dia com Jerusa” — Viviane Ferreira — 2020

Música 

  • Edson Gomes
  • Emicida
  • Gaby Amarantos
  • Gilberto Gil
  • GOG
  • Ilê Aiyê
  • Jorge Ben Jor
  • Leci Brandão
  • Liniker
  • Luedji Luna
  • Margareth Menezes
  • Milton Nascimento
  • MV Bill
  • Olodum
  • Orquestra Afro Sinfônica
  • Racionais MCs
  • Rincon Sapiência
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