MUNCAB inaugura Jardim das Esculturas e reconfigura área histórica no centro de Salvador

Espaço externo recebe mostra de Sandro Aiyê e programa contínuo de esculturas

O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira (MUNCAB) inaugura, na quinta-feira (30), às 19h, o Jardim das Esculturas, novo espaço permanente instalado em uma área que anteriormente abrigou uma Delegacia de Jogos e Costumes. A abertura marca a transformação de um lugar associado a práticas de controle estatal sobre expressões culturais em um ambiente dedicado à arte, à circulação pública e à relação entre cultura e natureza. A iniciativa integra um conjunto de ações viabilizadas por meio de recursos da Petrobras e do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura.

A criação do jardim insere-se em um gesto de ressignificação do espaço, historicamente vinculado à criminalização de práticas culturais negras. Ao converter esse território em área expositiva e de convivência, o museu estabelece uma nova camada de uso e leitura para o local.

O jardim foi concebido como espaço sensorial e expositivo, reunindo espécies vegetais vinculadas a tradições de matriz afro-brasileira e um programa contínuo de esculturas. O projeto arquitetônico e expográfico é de Gisele de Paula, com paisagismo de Marcos Antônio Costa e engenharia civil de Géssica Oliveira.  Entre as plantas, estão variedades como abre-caminho, pitangueira, comigo-ninguém-pode, espada de São Jorge, rosas, manjericão, dentre outras. 

O projeto inclui ainda um meliponário de abelhas sem ferrão e um sistema de manejo hídrico baseado na captação de água da chuva e no reuso de água de desumidificadores e aparelhos de ar-condicionado para irrigação. O programa contou com a doação de mudas da Batter e da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-estar e Proteção Animal de Salvador (Sempre). 

A diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, afirma que a iniciativa integra uma estratégia institucional mais ampla. “Ao reconfigurar um espaço que foi usado para criminalizar a cultura afro-brasileira e a produção artística negra, o Muncab afirma seu papel na produção contemporânea e na relação com a cidade. O museu opera aqui uma mudança de função e de sentido”, diz.

A abertura do jardim será junto com a exposição “Padê Onã – Encontrar Caminhos”, individual do artista Sandro Aiyê. A mostra reúne sete esculturas de grandes dimensões, produzidas em madeira de demolição. As obras têm como eixo a figura de Exu e propõem uma leitura que confronta interpretações estigmatizadas no imaginário social. A produção das obras contou com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por meio da Lei Aldir Blanc.

A curadoria é assinada por Jamile Coelho e Jil Soares. Para Coelho, o projeto articula diferentes dimensões do museu. “A exposição foi concebida em diálogo com o espaço aberto, estabelecendo uma relação direta entre as esculturas, o jardim e o público”, afirma.

A programação de abertura inclui discotecagem de PivonMan, com sets que dialogam com a música negra e a produção contemporânea, pockshow do grupo Afrocidade, que articula música, performance e repertório autoral, e Diogo Sampaio com Samba Escultural.

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