Espaço integra espécies vegetais, manejo hídrico e programa de esculturas em área histórica da cidade
O Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira – MUNCAB inaugura, na quinta-feira (30), às 19h, o Jardim das Esculturas, espaço permanente que incorpora soluções de manejo ambiental em uma área central de Salvador. Instalado em um terreno que anteriormente abrigou uma Delegacia de Jogos e Costumes, o projeto transforma uma área abandonada e com acúmulo de resíduos em um espaço de convivência com vegetação, sistema de irrigação sustentável e presença de polinizadores.
A iniciativa, viabilizada com recursos da Petrobras e do Ministério da Cultura via Lei de Incentivo à Cultura, combina intervenção paisagística e estratégias de reuso de recursos. O jardim inclui um sistema de captação de água da chuva e reaproveitamento de água proveniente de desumidificadores e aparelhos de ar-condicionado, destinada à irrigação das plantas.
O espaço reúne espécies vegetais associadas a práticas culturais de matriz afro-brasileira, como abre-caminho, pitangueira, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge, rosas e manjericão. Parte das mudas foi obtida por meio de doações da Batter e da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal de Salvador (Sempre).
Outro eixo do projeto é a instalação de um meliponário de abelhas sem ferrão, voltado à manutenção de polinizadores em área urbana. A presença dessas espécies contribui para o equilíbrio ambiental do espaço e para a reprodução das plantas cultivadas no jardim.
O projeto arquitetônico e expográfico é de Gisele de Paula, com paisagismo de Marcos Antônio Costa e engenharia civil de Géssica Oliveira. A proposta articula uso público, vegetação e infraestrutura de baixo impacto em um terreno anteriormente degradado.
A diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, afirma que o jardim integra uma estratégia de atuação do museu sobre o espaço urbano. “O projeto articula reuso de água, presença de polinizadores e recomposição vegetal em uma área urbana que estava sem uso, incorporando práticas ambientais ao cotidiano do museu”, diz.
A inauguração do espaço coincide com a abertura da exposição “Padê Onã – Encontrar Caminhos”, do artista Sandro Aiyê, composta por esculturas em madeira de demolição. As obras passam a integrar o programa contínuo de ocupação do jardim.
A curadoria é assinada por Jamile Coelho e Jil Soares. Para Coelho, o espaço amplia a atuação do museu. “A exposição foi concebida em diálogo com o ambiente aberto, estabelecendo uma relação direta entre as esculturas, o jardim e o público”, afirma.
A programação de abertura inclui discotecagem de PivonMan, com sets que dialogam com a música negra e a produção contemporânea, pockshow do grupo Afrocidade, que articula música, performance e repertório autoral, e Diogo Sampaio com Samba Escultural.
Sobre o MUNCAB
O MUNCAB (Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira) é um importante centro de preservação e difusão da cultura afro-brasileira, diaspórica e africana nas Américas, sediado na cidade de Salvador. O equipamento tem um papel fundamental no diálogo e intercâmbio das artes contemporâneas entre os países africanos e o Brasil. É gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira – AMAFRO, uma instituição de direito privado sem fins lucrativos, reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), fundada em 15 de março de 2002.
SERVIÇO:
EXPOSIÇÃO “PADÊ ONÃ – ENCONTRAR CAMINHOS”
Local: MUNCAB (Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira) – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico de Salvador, Bahia
Estreia: 20 de abril de 2026, às 19h
Encerramento: 13 de janeiro de 2027
Visitas: Terça a domingo, das 10h às 17h (acesso até às 16h30)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Pagamento: Dinheiro, cartões de débito e crédito, PIX e boleto bancário
Gratuidade: Quartas-feiras e domingos
Mais informações: (71) 3017-6722 e museuafrobrasileiro.com.br
Classificação indicativa: Livre
