Tincoã
Tincoã, exposição que evoca saberes tradicionais do recôncavo baiano a partir da materialidade da cerâmica.
O pássaro surge como condutor da permanência e manutenção dessa memória. Para os “antigos” e mestres deste saber, o Tincoã canta quando precisamos lembrar quem somos e o que nos constitui. A arte ceramista é um importante legado de pertencimento. Cada família, cada quilombo e comunidade tem um jeito próprio de se manifestar e expressar a sua estética e a sua história. A mostra é resultado dessas heranças: são esculturas que evocam a fé com a criação dos santos afro-barrocos, os mitos e lendas que fundamentam as narrativas do sagrado, com as variadas representações das carrancas, saveiros como meio de transporte e sobrevivência. Elementos de uma cultura que moldou a forma de produzir história acerca das identidades brasileiras.
Há lugares onde a memória nunca se esqueceu de ser canto. A Bahia é um deles.
Estado mais negro fora da África, abriga em seus 27 Territórios de Identidade uma pluralidade de vozes, gestos e ritmos que se entrelaçam como fios de um mesmo tecido secular. Cada território é um pulsar, um entroncamento de mundos onde a criação se torna sobrevivência e o fazer, ato sagrado. É desse solo fértil de multiplicidades nasce a exposição Tincoã.
O tincoã — ave mística do interior baiano — anuncia sua presença pelo canto que atravessa o céu como um chamado. Na tradição popular, ele é mensageiro dos ancestrais, guardião das vozes que o tempo não foi capaz de silenciar. Seu canto fala de presença e ausência, de saudade e de confluências. Para muitos, é o pássaro da memória, aquele que canta quando precisamos lembrar de quem somos.
Assim como o pássaro, os sussurros melódicos de Os Tincoãs permeiam imageticamente a exposição como uma ode à sabedoria, à força estética e à inventividade que moldou o imaginário brasileiro. Como canto do trio musical, o artesanato afro-brasileiro ecoa entre mundos — o material e o invisível, o passado e o agora — invocando a escuta, o silêncio e a celebração da ancestralidade.
O artesanato da Bahia, feito de barro, de fibras, de madeira e de fé, emerge aqui como testemunho vivo da sensibilidade afro-brasileira: mãos que rezam enquanto criam, corpos que dançam enquanto moldam e encantos que se fazem matéria.
Tincoã é um voo sobre essa herança. Um percurso de retorno e reconhecimento, em que cada obra vibra como um eco do canto original — aquele que recorda que a memória ancestral atravessa o tempo e se refaz no presente com a mesma força secular que nos moveu pelo tempo para o agora.
Ô, gira, deixa a gira girar
Jamile Coelho – Curadora e Diretora Artística do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
ARQUITETAR SONHOS É CONSTRUIR FUTUROS
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira apresenta a primeira etapa do Museu-Escola, um espaço que articula formação e preservação, reafirmando o compromisso com a centralidade das narrativas afro-brasileiras. Instalada em um edifício centenário anteriormente dedicado à Assistência Pública, esta iniciativa reinscreve o prédio na vida da cidade como um território de pesquisa, autonomia e inovação social.
Em parceria com a SETRE, por meio da Coordenação do Artesanato da Bahia, o Museu-Escola fortalece identidades e amplia oportunidades para artesãs, artesãos e comunidades quilombolas, conectando economia solidária, educação e cultura. A loja e a exposição Tincoã representam esse encontro entre tradição, criatividade e geração de renda.
Com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da AMAFRO, concluímos a primeira fase de um projeto que aponta para novos futuros. O Museu-Escola se consolida como espaço que educa, inspira e reafirma a potência da produção intelectual e artística afro-brasileira.
Este é apenas o início. Convidamos instituições, empresas e parceiras e parceiros a se somarem à continuidade desta construção coletiva, para que as próximas etapas se realizem e para que este território de memória e criação siga avançando e ampliando horizontes.
Cintia Maria
Diretora-geral do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
TRAJETÓRIAS QUE SE ERGUEM, VOZES QUE SE ALARGAM
Nesta loja-exposição, cada peça nasce como gesto de afirmação. O artesanato criado por povos quilombolas, indígenas, ribeirinhos e comunidades de terreiro revela trajetórias que se erguem contra o esquecimento e as vozes que se alargam para ocupar o lugar que sempre lhes pertenceu. Não são objetos: são presenças vivas, memórias moldadas em barro, fibras, sementes e madeira, em que cada detalhe guarda história, território e pertencimento.
Esta ação integra uma política pública do Governo do Estado da Bahia, conduzida pela CFA/SETRE e ancorada no tripé qualificar, promover e vender — um movimento contínuo de dignidade. Qualificar é erguer trajetórias com autonomia. Promover é alargar vozes antes silenciadas. Vender é transformar o saber ancestral em futuro e sustento, sem perder a essência de resistência que define esses povos.
Weslen Moreira
Coordenador de Fomento ao Artesanato da Setre
FORÇA, RESISTÊNCIA E IDENTIDADE AO ALCANCE DAS MÃOS
O que vemos nesta loja-exposição é artesanato que pulsa nos territórios. Cada peça criada por quilombolas, indígenas, ribeirinhos e pessoas de comunidades de terreiros nasce de histórias que atravessam o tempo e afirmam nossa cultura. São objetos que carregam chão, memória e coragem. Símbolos de uma Bahia que se recria todos os dias.
Ao apoiar esta ação, o Governo do Estado reafirma um compromisso central: impulsionar quem faz da cultura seu trabalho e sustento. Nossa política pública de fomento ao artesanato garante formação, amplia visibilidade e abre caminhos de comercialização para que esses saberes ancestrais se mantenham vivos, gerando renda com dignidade.
O artesanato baiano é o presente que olha para o futuro sem esquecer do passado. Trabalhamos para que essas vozes continuem ecoando, alcançando novos espaços e conquistando o reconhecimento que merecem.
Augusto Vasconcelos
Secretário de Estado do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre)
Bira
Eder Muniz
Flávio Cerqueira
Jamile Coelho
Leonor Pereira
Maristela Marques
Pedro
Ray Vianna
Zé Taurino
Realização
Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
Coordenação do Artesanato da Bahia
Secretaria de Trabalho Emprego, Renda e Esporte do Estado da Bahia
Correalização
Associação Sociocultural Nubas
Direção Executiva
Cintia Maria (Muncab)
Jamile Coelho (Muncab)
Weslen Moreira (Setre)
Curadoria – Tincoã
Jamile Coelho
Assistente de Curadoria
Caio Fernandes
Assessoria de Imprensa
IBDE
Designer
- Dias Preto
Projeto Expográfico
Gisele de Paula Arquitetura & Cenografia
Assistente de Expografia
Iolaos Coelho
Alexandra Souza
Anna Carolina Madureira
Pintura
Gal Sá Oliveira
Glaucival Oliveira Gonzaga
Montagem de Obras
Fabrício Borges
Instituto Curupira da Bahia
Assistente de Montagem
Contrarregras
Antônio Carlos Ferreira
Itamar Silva dos Santos
Celso de Jesus Almeida
Coordenação de Comercialização
Instituto Curupira da Bahia
Revisão de Textos
Alex Simões
Coordenação de comunicação e Promoção
Instituto Brasileiro de Desenvolvimento do Esporte e Cultura – IBDE
Assessoria de imprensa
IBDE
Iluminação cenotécnica
Luciano Reis
Assistentes de iluminação
Thaimara Leite
Marcos DD
Roberto Batista
Daniel Godinho
Felipe Domareski
Marina Porto
Eletricista
Joselito Pinho
MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA
Gestão Muncab
Sociedade Amigos da Cultura Afro-brasileira
Diretora Geral
Cintia Maria
Diretora Artística
Jamile Coelho
SECRETARIA DE TRABALHO EMPREGO RENDA E ESPORTE
Secretário
Augusto Vasconcelos
Chefe de gabinete
Juremar de Oliveira
COORDENAÇÃO DE FOMENTO AO ARTESANATO DA BAHIA
Coordenador Executivo
Weslen Moreira
Coordenadora técnica
Priscilla Cerqueira de Jesus
Assessora técnica
Nadja Miranda de Carvalho
INSTITUTO CURUPIRA DA BAHIA
Presidente
Afonso Celso Guimarães Machado Filho
Coordenador Geral
Kleber de Azevedo
Gerente de Vendas
Luzilene França
Assessoria Técnica
Karla Uckonn
ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE ILÊ AXÉ OJÚ ONIRÊ
Presidente
José Raimundo Lima Chaves
Coordenador Geral
Antonioni Afonso
Coordenador Técnico
Mateus Estrela
Agradecimentos
Aos trabalhadores e empresas que tornaram esse projeto possível: Alan Cerqueira, Alan Conceição Leite, Alison Lima, Almiro Cerqueira, Astrogildo Oliveira da Silva, Jorge Lima Metalúrgica, Joilson Porto da Silva, José Roberto Cerqueira de Assis, Lucas Carqueija da Silva, Nando Lima, Pedro Filipe Rodrigues Santos Leite, Raimundo Nonato Soeiro da Silva, Reginaldo Oliveira de Freitas


















