Últimos dias para visitação gratuita da exposição “Inclassificáveis” no MUNCAB

A mostra é parte da maior repatriação de obras de arte realizada no Brasil e fica de forma gratuita até dia 22 de março.

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) apresenta ao público a exposição “Inclassificáveis”, que marca o início da mostra pública do maior conjunto de obras de arte repatriado ao Brasil. Como parte da programação especial, a visitação à exposição será gratuita até o dia 22 de março, ampliando o acesso do público a esse importante acervo, em uma realização em parceria com a Petrobras.

A abertura no dia 13 de março reuniu artistas, pesquisadores, gestores culturais, imprensa e público em uma celebração que também contou com show gratuito de Portella Açúcar e A Outra Banda da Aboca, realizado no próprio museu.

A exposição apresenta o primeiro recorte do acervo Con/Vida, composto por mais de 660 obras repatriadas dos Estados Unidos, reunidas ao longo de mais de três décadas pelas colecionadoras norte-americanas Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que formalizaram a doação ao MUNCAB. Nesta mostra inaugural, mais de 100 trabalhos passaram a integrar a programação expositiva do museu. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, “Inclassificáveis” propõe uma reflexão crítica sobre os rótulos historicamente atribuídos à produção artística negra.

“Esta exposição é um gesto contra a tradição classificatória que tentou enclausurar a arte negra em categorias simplistas e racistas. O que trouxemos ao MUNCAB desafia essas fronteiras, aproximando o público da diversidade estética, histórica e artística que sempre existiu na produção artística afro-brasileira”, afirma Jamile Coelho, diretora artística do museu.

Para a diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, a incorporação do acervo representa um marco para o patrimônio cultural brasileiro. “Estamos falando do maior retorno de obras de arte feito ao Brasil. Esse acervo amplia de forma significativa o patrimônio público e fortalece a presença de artistas do Nordeste na narrativa nacional das artes visuais. Não estamos apenas trazendo obras de volta. Estamos reposicionando narrativas”, destaca.

Dividida em três núcleos curatoriais — “Restituir Sentidos”, “Escolas Invisíveis” e “Cotidianos” — a exposição reúne artistas como José Adário, J. Cunha, Louco Filho, Babalu, Alfredo Cruz, Totonho, Nivaldina e Telma Sá, entre outros nomes com forte vínculo com territórios como o Pelourinho em Salvador e de Cachoeira. A expografia da mostra é assinada por Gisele de Paula, com identidade visual desenvolvida por Ranulfo Magalhães e M. Dias Preto.

O processo de repatriação envolveu etapas diplomáticas, jurídicas e técnicas, incluindo transporte internacional especializado, regularização documental e procedimentos de conservação. A operação contou com parceria do Ministério da Cultura e foi viabilizada por meio da Lei Rouanet, com recursos do Fundo Nacional de Cultura e patrocínio da Petrobras.

SERVIÇO

O quê? Exposição Inclassificáveis, sob curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares

Quando? Até agosto de 2026 | terça a domingo, das 10h às 17h (acesso até 16h30)
Onde? Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira – Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador (BA)

Gratuidade: de 13 a 22 de março de 2026, quartas e domingos

Ingressos após o período gratuito:  R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Mais informações:  (71) 3017-6722 | muncab.com.br

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