36ª Bienal de São Paulo - Itinerância Salvador
OMI TUTU – Água Fresca é a exposição individual de Hariel Revignet no MUNCAB, com curadoria de Jamile Coelho. Por meio de pinturas e instalações, a artista brasileira-gabonesa investiga a água como elemento de conexão entre territórios, corpos e diferentes formas de pertencimento. Entre Brasil e Gabão, rios e mares, terra e água, deslocamento e retorno, a exposição constrói uma geografia em movimento, na qual travessias, encontros e continuidades ganham forma.
A partir do conceito de autobiogeografia, desenvolvido pela artista para articular experiência pessoal, território e deslocamento, Hariel transforma sua própria trajetória entre diferentes geografias em matéria de criação. Sua pesquisa também se desdobra na Axétetura, conceito que amplia a compreensão da arquitetura a partir de conhecimentos negros e de outras formas de construir, habitar e organizar o mundo.
A partir de referências afro-diaspóricas, indígenas e de sua própria trajetória, Hariel articula matéria, corpo, arquitetura e território em um percurso que atravessa águas, sementes, estuários e portais. OMI TUTU propõe pensar o retorno não como volta ao ponto de origem, mas como possibilidade de reencontro, reconstrução e criação de novos caminhos.
A Água Sempre Encontra um Caminho
A exposição OMI TUTU — Água Fresca, de Hariel Revignet com curadoria de Jamile Coelho, revela a inteligência da água. Ela não vence pela força, mas pela persistência. Contorna a pedra, atravessa a montanha, muda de estado físico e se mistura até abrir passagem. Entre Brasil e Gabão, Hariel constrói uma geografia afro-atlântica onde o oceano deixa de ser distância e se torna arquivo de continuidades. A devoção às águas torna-se linguagem.
A exposição reconhece o poder de criação das mulheres em sua dimensão mais ampla. Criar é gerar vida, mas também produzir imagens, reinventar linguagens, sustentar comunidades e transformar as condições do presente. Nas obras de Hariel, o corpo feminino não aparece como território passivo, mas como força criadora, lugar de memória e princípio de transformação. Ao reivindicar a água fresca, OMI TUTU afirma abundância e vitalidade. Não basta sobreviver. É preciso transbordar.
Nos Portais do Retorno, as chaves não fecham caminhos. Abrem o futuro para aquilo que a história não apagou. Como pensou Beatriz Nascimento, o corpo negro também é território histórico. Em OMI TUTU, são as mulheres que guardam as águas, atravessam o tempo e fazem nascer outros mundos.
Cintia Maria
Diretora-geral do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira
FICHA TÉCNICA | EXHIBITION CREDITS | FICHA TÉCNICA
Artista | Artist | Artista
Hariel Revignet
Realização | Produced by | Realización
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB)
Gestão do MUNCAB | MUNCAB Management | Gestión del MUNCAB
Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO)
Direção-Geral | General Direction | Dirección General
Cintia Maria
Direção Artística | Artistic Direction | Dirección Artística
Jamile Coelho
Curador assistente | Assistant Curator | Curador asistente
Jil Soares
Projeto expográfico | Exhibition Design | Diseño expositivo
Gisele de Paula Arquitetura & Cenografia
Assistentes de expografia | Exhibition Design Assistants | Asistentes de diseño expositivo
Alexandra Souza
Carol Madureira
Artistas Assistentes | Assistant Artists | Artistas Asistentes
Ayorimim Calau Rodrigues de Bastos
Greice Rosa
Karl Araújo
Artista Ceramista | Ceramic Artist | Artista Ceramista
Coordenação de produção | Production Coordination | Coordinación de producción
Davi Lima
Coordenação dos laudos museológicos | Condition Report Coordination | Coordinación de informes de estado de conservación
Laila Barbosa
Laudos museológicos | Condition Reports | Informes de estado de conservación
Cláudio de Souza
Daniela de Jesus
Railda Sampaio
Estagiária de museologia | Museology Intern | Pasante de museología
Adu Santos
Assessoria de comunicação | Communications | Comunicación
KAÔ Comunica | Rafael Brito
Assessoria jurídica | Legal Counsel | Asesoría jurídica
Camila Chagas
Gestão do educativo | Education Department Management | Gestión del área educativa
Associação Sociocultural NUBAS
Mediador cultural | Cultural Mediator | Mediador cultural
Gabriel Cerqueira
Estagiários de mediação | Cultural Mediation Interns | Pasantes de mediación cultural
Adrian Alves
Caique Alexandre Santos
Emilly Manhães
Geovana Ferreira
Jaiane Eloy
João Gabriel Pinheiro
Jonadabe Oliveira
Juliana Rocha
Larissa Vasconcelos
Luiza Santos
Maria Rita Santos
Mércia Carvalho
Renata de Jesus
Sara Belmonte
Silwana Brito
Identidade visual | Visual Identity | Identidad visual
Ranulfo Magalhães
Designer gráfico | Graphic Designer | Diseñador gráfico
Renato Ribeiro
Consultoria em audiodescrição | Audio Description Consultancy | Consultoría en audiodescripción
Ira Vilaronga Consultoria
Audiodescrição | Audio Description | Audiodescripción
Juniro Formiga
MONTAGEM | EXHIBITION INSTALLATION | MONTAJE EXPOSITIVO
Pintores | Painters | Pintores
Alan Silva dos Santos
Alex Paiva
Emerson Silva
Gilson dos Reis
Jerônimo Barbosa
Leandro do Nascimento
Manoel do Carmo
Nilton Braga
Valter da Boa Morte
Vladimir de Freitas
Cenografia | Scenography | Escenografía
Alan dos Santos
Lucas Ferreira
Lucas Costa
Márcio Costa
Serralheria | Metal Fabrication | Herrería
Adriano Hortins
Alan Leite
Alisson Freitas
Antônio Leite
Carlos Filho
João Marcos H Melo
Pedro Filipe Leite
Rodrigo Barbosa
Montagem fina | Fine Art Installation | Montaje especializado de obras de arte
Afeto Montagem Fina | Paulo Tosta
Agnaldo Costa
Augusto Leal
Victor Anatólio
Iluminação cenotécnica | Exhibition Lighting | Iluminación expositiva
LR Entretenimento
R Lobo Iluminação
Iluminador e Desenho de Luz | Lighting Designer | Diseñador de iluminación
Luciano Reis
Assistentes e técnicos de iluminação | Lighting Assistants and Technicians | Asistentes y técnicos de iluminación
Alan Cerqueira
Gabriel de Jesus
Marcos Brasil
Marcos DD
Marina Porto
Roberto Lobo
Thaimara Leite
Eletricista | Electrician | Electricista
JP Serviços Elétricos | Joselito Pinho
Logística | Logistics | Logística
Antônio Carlos Ferreira
Egnaldo Reis
Jorge Sonora
Robson Borges
Coordenação administrativo-financeira | Administrative and Financial Coordination | Coordinación administrativa y financiera
Bianca Muniz
Auxiliar administrativo-financeiro | Administrative and Financial Assistant | Auxiliar administrativo y financiero
Adilma Cajado
Assistente administrativo e operacional | Administrative and Operations Assistant | Asistente administrativo y operativo
Luiz Matheus
Segurança, vigilância e limpeza | Security, Guarding, and Cleaning | Seguridad, vigilancia y limpieza
Pitta Segurança e Serviços
Seguro de obras | Artwork Insurance | Seguro de obras de arte
Howden
Monitoramento 24 horas | 24-Hour Monitoring | Monitoreo las 24 horas
Escudo
Agradecimentos | Acknowledgments | Agradecimientos
Luan Ramon Fôlha, pelo nosso florescer. Rodrigo Mitre, Júlia Maria e Sandro Aiyê, pela parceria.
Dentro do Mar tem Rio
Antes que existissem mapas, países ou nomes para os continentes, a água já desenhava seus próprios caminhos. Seus fluxos nunca reconheceram fronteiras. Descem montanhas, infiltra-se na terra, reaparece quilômetros adiante. Mudam de forma, de cor, de velocidade, mas nunca deixam de ser água.
Quando um rio alcança o mar, não desaparece. Continua correndo, ainda que já não possamos distingui-lo. Há cursos tão profundos que atravessam oceanos inteiros sem jamais romper a superfície. São eles que distribuem calor, conduzem nutrientes, regulam a vida do planeta. Invisíveis, sustentam aquilo que parece imóvel.
O Atlântico durante muito tempo foi narrado como um vazio entre as margens. No entanto, nunca foi apenas a distância. Suas águas conduziram línguas, divindades, ritmos, gestos, plantas, modos de construir, cozinhar, cantar e compreender o mundo. A superfície registrou a ruptura e os deslocamentos guardaram continuidade.
A obra de Hariel Revignet, cuja trajetória se constrói entre o Gabão e o Brasil, é como um rio. E em Omi Tutu: Água fresca — encontra novos leitos, incorpora outros afluentes, deixa de ser uma imagem ritual para tornar-se uma maneira de compreender a própria travessia da artista. Nesses trabalhos, a água também devolve imagens, recompõe territórios e reativa pertencimentos.
Somos feitos dessa água. Daquilo que atravessa o tempo sem abandonar completamente a nascente. Há lembranças que sobrevivem não porque ficaram intactas, mas porque aprenderam a mudar de forma.
A produção de Revignet expande a pintura para o espaço. Esculturas, instalações e objetos não funcionam como linguagens independentes, mas como partes de uma mesma investigação. Cada obra ocupa o ambiente como quem prolonga um fluxo. Nada parece definitivo. Tudo está em processo, como a maré que avança, recua e retorna diferente.
Obras como Orikis, Caminho de Peixes, Rio Encantado, Estuário Dourado, Portais – Chaves Adinkras e Mar de Lágrimas constroem um vocabulário onde referências afro-atlânticas e indígenas coexistem sem hierarquia. A Kalunga Grande, compreendida nas cosmologias bantu como o mar que separa e aproxima o mundo dos vivos e o dos encantados, atravessa esse conjunto como uma presença constante. Mais do que um limite, ela é um espaço de passagem.
Ao mesmo tempo, rios, igarapés e nascentes introduzem outra memória das águas, a dos povos indígenas. Nesses trabalhos, a água também devolve imagens, recompõe territórios e reativa pertencimentos. O Orí, individual e coletivo, emerge como um exercício permanente de reconstrução.
Talvez sejam as águas que expliquem por que encontramos resposta do outro lado do oceano. Certos gestos permanecem familiares mesmo separados por séculos. Existem caminhos que continuam aproximando margens que a história insistiu em separar.
Entre vestígios e invenções. Entre deslocamento e permanência. Entre a África e as Américas. Como as correntes profundas do Atlântico, a artista lembra que algumas ligações não precisam ser visíveis para continuar existindo. Há rios correndo dentro do mar. E talvez sejam eles que sustentem, até hoje, tudo aquilo que insiste em permanecer vivo.
Jamile Coelho – Diretora Artística e Curadora
A ENERGIA QUE MOVE A CULTURA
A Petrobras acredita na cultura como uma força capaz de transformar realidades, aproximar pessoas e projetar caminhos para o futuro. É com orgulho que a companhia patrocina o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira — MUNCAB que apresenta nesta temporada a exposição Omi Tutu — Água Fresca.
Inspirada nos movimentos da água, a mostra convida o público a percorrer caminhos de memória, pertencimento e transformação. A trajetória da artista entre o Gabão e o Brasil se revela em pinturas, esculturas, instalações e objetos que conectam territórios, experiências e diferentes formas de perceber o mundo.
Este patrocínio reafirma o compromisso da Petrobras com a cultura brasileira e com a diversidade de seus realizadores, temas, territórios e públicos. Ao apoiar a produção e a circulação artística, a companhia contribui para ampliar o acesso à arte, fortalecer a economia criativa e valorizar espaços culturais como lugares de encontro, conhecimento, imaginação e desenvolvimento social.
Assim como a água, a cultura está sempre em movimento. Ela atravessa fronteiras, renova paisagens, cria vínculos e abre novas possibilidades. Essa é a energia que impulsiona Omi Tutu — Água Fresca e fortalece a atuação do MUNCAB na valorização, preservação e difusão da cultura afro-brasileira.
Ao aproximar criação contemporânea, patrimônio e público, a exposição revela a capacidade da arte de produzir sentidos, estimular diálogos e manter o país em movimento.
Petrobras. O Brasil é a nossa energia.
Sobre Hariel Revignet
Hariel Revignet é uma artista brasileira-gabonesa, nascida em Goiânia, em 1995. Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal de Goiás, desenvolve uma pesquisa que atravessa pintura, costura, escultura, instalação, performance e investigação espacial. Sua produção é orientada pelo conceito de autobiogeografia, a partir do qual articula experiência pessoal, memória, território e deslocamento, e pelo conceito de Axétetura, desenvolvido em diálogo com sua formação em arquitetura e com conhecimentos afrodiaspóricos e outras formas de compreender o espaço. A artista compreende a criação como um território de encontro e continuidade, no qual a pintura pode ultrapassar a tela e o espaço pode tornar-se parte da própria linguagem artística.


















